quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013


Lua cheia perdida nesses olhos de mar. Nesses olhos de mar. Nesses olhos de mar... Ah, sim! Os seus olhos de mar!... Quem não os reconhece... A transbordar de água. A transbordar de medo. A transbordar de luz. As marés dos seus olhos, livres e perigosas, percorrem-lhe do coração à cabeça, da cabeça ao coração, com tanta força, tanta cor, tanta presença, que tudo o que existe nela, tudo o que liga estes dois órgãos, está-lhe visível na pele, nos traços... Nos olhos de mar. Como ferida queimada. Sem penso, sem cicatriz, sem pontos. Apenas a cor das canções que fazem dela a imensidão de água que é. Nunca percebi se transporta tanta água em si porque, tal como esta, é capaz de absorver e amar tudo; porque tanto pode ser pequena e transparente como grande e azul ou simplesmente porque, nestes anos de escuridão, guardou o que não se guarda, o que se joga fora, o que nos envolve como mantas quentes, para mais tarde nos sufocar.
 Ah! E é isso que se vê! É isso que se sente, que se cheira, que se toca... Quando se olha nos seus olhos de mar... Que transbordam de água, de medo, de luz. Mas estão a transbordar... E como deve ser sofucante.
 Como deve ser sofucante, sofucar de transbordar!

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