quarta-feira, 4 de dezembro de 2013



I know I'm in darkness
I know I lost myself,
And I know I lost most of you...
But there's just one thing I cannot know:
Am I dead only inside,
Or am I dead for all of you too?

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

culpa

Acho que me perdi no meu próprio labirinto. Ou perdi simplesmente. Presa, vazia e sombria será, com certeza, a melhor maneira de meter as coisas cruas e nuas tais como são. Terei estado antes neste desconcerto? Talvez, num dos pesadelos que me atormentam a noite. Quererá isso dizer que não estou a viver uma realidade? Sinto-o como se fosse. Oh, sim, só pode ser real. Bem real. Tão real que me dói cada milímetro que me percorre nas veias. Alastra-se e alastra-se como se fosse um vírus, dono de tudo o que eu me esforcei tanto para criar. Não acredito que me percorra o mal nas entranhas, mas terei-me tornado tão feita de... mágoa? Terei perdido todas as forças? Receio que sim. Não me sinto com nenhuma. De facto, não me sinto com nada. Acho que é isso que me assusta mais no meio de tantas coisas grandes e assustadoras, é ter-me habituado a elas. Quero sentir-me tão natural como fora. Porque haverei dado um pedaço de mim a cada um de vós? Terei nascido assim tão burra? Dada, talvez. Natural. Inocente. Onde foi tudo isso agora? Não queria transformar-me nisto. Quem me dera que o soubesse antes. Ter tido a premonição que seria assim. Teria arriscado na mesma, como uma tola? Correrá-me isto nas veias como um tipo de sangue que me pertence? Tantas perguntas, tantas incertezas, tantas perdas e tantas sombras numa fragilidade de corpo que designo minha. Talvez se pudesse palpar-me a alma poderia arranjar as respostas nela. Será fraca também? Quebrar-se-á a alma de uma pessoa, ou apenas o que segura a alma? Quem me dera poder descobrir. Quem me dera poder sair desta realidade, talvez para uma realidade que nem eu própria pudesse criar, não posso criar nada para mim se não me aceito no que sou e no que me pertence. Uma realidade longínqua, segura, onde ainda não poderia ser um pedaço amarrotado, sem me ver onde estou, onde sou, onde quero ser. Quem me dera poder fazer tudo de novo. E não me culpar de fazê-lo. Mas a culpa tem de ser entregue, como uma sombra humana, os actos vêm cheios de culpa, os momentos cheios de memórias e o tempo cheio de tudo, e de nada. Porque não curas-te tu todas as minhas feridas, tempo? Acreditei em ti. Fora assim tão ingénua? O que importa agora... Nada. Nada importa, na realidade. Não sei onde gostar do quê, onde pertencer, onde me agarrar... Frágil e pequena. Presa, vazia e sombria. Alguém me leve para casa, por favor. Alguém me traga de volta e diga que estive presa dentro de mim, dentro de um pesadelo que eu própria criei, mas que há saída. Que há outra saída se não a entrega ao que me sufoca e me enfraquece. Não posso entregar-me ao acto de desespero que sobrecarregas-te em mim. Não posso fazê-lo. Sei que estás aí. Reconheço-te como se fosses parte da minha mão, conheço-te porque me percorres em todo o corpo, em toda a alma. Mas se foste capaz de tirar tanto de mim, por favor, imploro-te, porque não o trazes de volta?

sexta-feira, 19 de julho de 2013

liberta-te

Há tanto dentro de mim... Tanto dentro de mim que precisa de sair. Libertar-se. Mas eu continuo a prendê-lo. Continuo a prendê-lo neste sítio escuro, sombrio, solitário que criei. Não foi a partir de mim... Não fui eu que quis ficar assim. Juro! Mas vocês continuaram a sufocar-me, e eu deixei. Porque enquanto tu lutas... A agonia e o desespero apoderam-se de todas as tuas veias e aquilo que tu queres, aquilo que o teu corpo pede, é uma oportunidade... Uma oportunidade para poder respirar outra vez. E tu paras. Paras de lutar contra aquilo que te sufoca, e permites que te sufoque. Porque nesse momento, no momento entre o antes e o depois, tu ficas em paz. Por um segundo, tudo pára. Mas tal como os momentos, os segundos acabam, e o teu momento passou. E haverá dor maior do que a dor de já não poderes fazer nada? Ou de acreditares que assim o é? Haverá dor, agonia, desespero maior do que o desespero de não poderes recuperar o tempo que perdes-te a pensar que a perder ganhavas? Agora as tuas mãos fraquejam, eu sei... O teu coração estremece e o teu corpo... O teu corpo está demasiado pobre também. Não estás protegida, minha querida. Por mais que tentes guardar as feridas dentro de ti, um dia, vais ser demasiado pequena para elas. 
E diz-me, achas que estará alguém lá para apanha-las por ti?

terça-feira, 16 de julho de 2013

Limbo


" Eu e ele estamos em fases de evolução muito distintas, demasiado longe um do outro, para, juntos, conseguirmos chegar a bom porto. Eu saboreava o presente e, por ele ser tão bom, queria projectá-lo num futuro que ele não conseguia ver. E, depois, quando ele quis agarrar-me com uma ideia de futuro, já não consegui acreditar nele.
Agora sou eu que me sinto submersa nesse limbo de confusão, presa num mergulho perpétuo: cada vez que venho à tona, a corrente arrasta-me para um lugar que não conheço. Hei-de conseguir sair disto, tenho a certeza, por isso aproveito cada subida para respirar fundo. Há que levantar a cabeça e ver para lá da espuma.
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E é isso que tento fazer todos os dias."

quinta-feira, 6 de junho de 2013

na lua, a culpa não é tua


" Não acredites em tudo o que vês
Tu bem tentas mas será que vale a pena
A vida ensinou-te a respeitar as leis da rua
A verdade é nua e crua
Mas a culpa não é tua
Não te deixes enganar porque toda agente mente
Tu sabes bem
Olha à tua volta não vês ninguém
Não há amigos nesta vida
Quem dá 50 tira 100
Mas tentas sair
Mais aprisionada estás
Boa entre pessoa más
É tarde para voltar atrás
Acordas a pensar onde foi que erraste?
O que fizes-te?
Será que tudo não passa de um teste?

(...)
Enquanto conseguires sonhar
Olha para o céu vê o teu futuro
Na lua...
Minha amiga a culpa não é tua. "

sábado, 11 de maio de 2013

feitos de nada

Paralisia absoluta. Andamos perdidos, parados, paralisados. Paralisados por estes pensamentos e ideias perturbadas, que giram de corpo em corpo, que afectam cabeça em cabeça. Parecemos bonecos uns dos outros. Controlados pela autoridade que permitimos que os outros tenham em nós. Ou melhor, vocês parecem. Não faço parte deste mundo. Desse mundo. Não faço parte dessas cabeças fúteis e desses corpos sem valor. Sou uma alma. Sou o que vivo, o que sinto, o que dou. Vocês, o que são? Vivem camuflados desses prazeres inúteis e ridículos. Como se de facto conhecessem a felicidade, a natureza, a beleza. Ou mesmo a tristeza. Como se o vosso vazio algum dia pudesse ter as mínimas semelhanças ao meu. Quero dizer... Como se fosse possível eu partilhar as minhas sombras com vocês. Nunca, acredito. Não sou feita desse material, comprado nas lojas. Sou feita de cada momento que me foi entregue. Sou feita de tanta coisa. E vocês feitos de nada. Talvez um dia consigam saber o que é ser feita do que se cheira e do que se vê, do que se ouve e do que se sente. Talvez um dia possam ser sábios como os meus pais, que escreveram em mim aquilo que viveram. Talvez um dia possam ser como eu, feita do que os vossos pais escreveram em vocês. E o vazio que dizem sofrer se transforme em insatisfação intelectual ao invés de corporal. E um dia, quando acordarem, o céu pareça estranhamente diferente para vocês. Azul, rosa, puro, simples, verdadeiro. Poderão ser feitos de alguma coisa. E melhor que isso... Pela primeira vez na vida, poderão voar por ela.