Paralisia absoluta. Andamos perdidos, parados, paralisados. Paralisados por estes pensamentos e ideias perturbadas, que giram de corpo em corpo, que afectam cabeça em cabeça. Parecemos bonecos uns dos outros. Controlados pela autoridade que permitimos que os outros tenham em nós. Ou melhor, vocês parecem. Não faço parte deste mundo. Desse mundo. Não faço parte dessas cabeças fúteis e desses corpos sem valor. Sou uma alma. Sou o que vivo, o que sinto, o que dou. Vocês, o que são? Vivem camuflados desses prazeres inúteis e ridículos. Como se de facto conhecessem a felicidade, a natureza, a beleza. Ou mesmo a tristeza. Como se o vosso vazio algum dia pudesse ter as mínimas semelhanças ao meu. Quero dizer... Como se fosse possível eu partilhar as minhas sombras com vocês. Nunca, acredito. Não sou feita desse material, comprado nas lojas. Sou feita de cada momento que me foi entregue. Sou feita de tanta coisa. E vocês feitos de nada. Talvez um dia consigam saber o que é ser feita do que se cheira e do que se vê, do que se ouve e do que se sente. Talvez um dia possam ser sábios como os meus pais, que escreveram em mim aquilo que viveram. Talvez um dia possam ser como eu, feita do que os vossos pais escreveram em vocês. E o vazio que dizem sofrer se transforme em insatisfação intelectual ao invés de corporal. E um dia, quando acordarem, o céu pareça estranhamente diferente para vocês. Azul, rosa, puro, simples, verdadeiro. Poderão ser feitos de alguma coisa. E melhor que isso... Pela primeira vez na vida, poderão voar por ela.
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