A pior parte de perder alguém (ou algo) que se ama, é que ficamos com tudo o que tinhamos dentro do amor dessa pessoa, excepto o amor dessa pessoa. É como se nos tirassem a casa e deixassem os móveis, o sofá, as almofadas. Trazemos o cheiro connosco, o sabor, as memórias, as cores e as texturas. Mas a grande bolha, a grande casa, as grandes paredes que envolviam o enredar de sentimentos e de paixões partilhadas são retiradas. Restamos nós, perdidos na melancolia e na nostalgia. Com o cheiro, o sabor, a textura.
Alguns de nós compra outra casa. Deita fora os móveis abandonados e torna-se imune a qualquer cheiro guardado no passado. Pinta a casa com novas cores, contrói novas memórias e prova novos puzzles. Outros, ficam perdidos nesse cheiro para sempre. As memórias desfocam-se mas não desvanecem. E depois tudo aquilo que amam reflecte-se naquilo que têm, naquilo que vivem, naquilo que passam. Todas as angústias que cabem agora nesse amor estendem-se para toda a rotina que lhe pertence. É como se de certa maneira tivesse penetrado o que viveu no que é, e a menos que se perca, jamais perderá aquilo que amou. Essas pessoas, tornam-se procuradoras incessantes de si próprias. O olhar onde cabiam inteiras tornou-se um lugar vazio e distante. Um lugar perdido. Um lugar onde não há espaço e dedicação para mais nada... Senão a escuridão que envolvemos na nossa própria existência.
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